Ladeada na mesa de cerimônia pelo anfitrião, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e pelo ex-presidente tucano Fernando Henrique Cardoso, Dilma atribuiu a grande causa da miséria do país à "ausência secular de gerações e gerações do passado". Os elogios da reversão desse quadro, porém, foram atribuídos a Lula, seu antecessor.
"O governo Lula me legou uma 'herança bendita' --elevamos 40 milhões de pessoas à classe média; é uma Argentina", comparou.
Tanto Dilma quanto a ministra do Desenvolvimento Social, Tereza Campello, classificaram ainda o plano com os governadores do Sudeste como "uma nova etapa do programa Bolsa Família".
"O mundo vive hoje um momento de inquietude e perplexidade. No Brasil, precisamos combater a pobreza para criar um mercado interno sólido e garantir a ascensão social de milhões dessas pessoas em condição de miséria", disse a presidente, referindo-se aos mais de 16 milhões de brasileiros que vivem com renda mensal abaixo de R$ 70; 2,7 milhões, na região mais rica do país.
Dilma, a exemplo dos governadores dos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo, aproveitou o evento para salientar em mais de uma oportunidade a estabilidade da economia brasileira diante da crise enfrentada pelos Estados Unidos e países europeus.
"Temos uma das classes médias mais rigorosas do mundo", ressaltou. "Mas precisamos acreditar nesse plano como grande passo republicano e pluripartidário pela redução da miséria, que é a forma mais trágica de atraso [de países]."
O programa
Pelo pacto com os governadores, o Brasil Sem Miséria focará em políticas para tirar 2,7 milhões de pessoas da região da pobreza extrema. A principal medida já antecipada por aliados de Dilma e de Alckmin é a criação do cartão único para resgate dos benefícios pagos pelos governo federal e estadual. No Estado de São Paulo, há um milhão de pessoas --ou 300 mil famílias --em situação de pobreza extrema.
O governo federal diz que investirá R$ 20 bilhões por ano apenas no programa, que agrega transferência de renda, acesso a serviços públicos e inclusão na cadeia de produção. Ele serve como complemento ao Bolsa Família, por ter busca ativa por potenciais beneficiários.
Pouco mais de 17% dos moradores do Sudeste vivem em condições de miséria. Desses, 79% estão nas cidades e 21% estão em áreas rurais. Em São Paulo, os mais pobres se dividem principalmente em duas regiões: na capital e em sua região metropolitana e mais ao sul, no Vale do Ribeira, próximo à divisa com o Paraná. No restante da região, são apontados pelo MDS como focos de bolsões de miséria também o Vale do Jequitinhonha (MG), a região de Campos e Belford Roxo (RJ).
Em Minas, o programa prevê 900 mil potenciais beneficiados; no Rio, 586 mil, e no Espírito Santo, 145 mil. Os governadores do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), e do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB), são aliados da presidente. O mineiro Antonio Anastasia (PSDB) é um oposicionista moderado.
Estatística
Sozinho, o Sudeste concentra 42% da população brasileira e um quarto dos que vivem em situação de miséria extrema em áreas urbanas no país. A região detém ainda o PIB (Produto Interno Bruto) mais alto e, segundo a ministra Tereza Campello, também uma estimativa de 400 mil pessoas que ainda carecem de inclusão no Bolsa Família.